“Thirteen” e as 5 fases do luto

The 100 pode ser apenas uma série de Tv ao invés de uma vida real com pessoas reais, mas os escritores e atores criaram um mundo denso, com personagens relacionáveis, apesar das condições extremas e situações insondáveis de vida e morte constantes. Isso é o que faz com que seja, mais frequentemente do que gostaríamos, devastador de se assistir.

A morte de Lexa (Alycia Debnam-Carey) tem feito com que todas as outras mortes que a precederam pareçam insignificantes quando colocadas em comparação. Isso porque essa vai doer por um longo, longo tempo.

Todos os sinais de que a vida de Lexa seria curta estavam lá, mas eu (juntamente com uma grande parte do fandom) escolhi acreditar que ela seria a exceção, e que ela não iria morrer de maneira alguma. Lexa e Clarke (Eliza Taylor) foram feitas para lutar por suas diferenças, por suas lealdades a ambos os seus povos, e de alguma forma fazer isso funcionar e partilhar seus corações uma com a outra. Só que este caminho nunca foi concebido para elas.

Lexa tem estado preparada para sua morte desde que a conhecemos, embora ela certamente não esperava que viria das mãos de seu mais fiel aliado, Titus, o Flamekeeper. Por mais esmagadora que tenha sido a morte de Lexa para nós como espectadores, foi no momento certo se enxergarmos pela perspectiva de enredo e história a ser contada. Não nos interpretem mal, nós jamais queríamos a morte de Lexa e preferíamos bem mais que ela vivesse para sempre, mas isso não estava nas cartas para ela e por mais angustiante que isso seja, estamos aprendendo a aceitar. The 100 se passa em um mundo brutal, no qual isso não existe. Felicidade e alegria estão restritas à Cidade Luz.

A morte de Lexa serve como o momento crucial em que as histórias da inteligência artificial, Arkers e Grounders se convergem. Eles não sabiam, mas esses dois povos em conflito estão fundamentalmente ligados uns aos outros de uma forma inesperada, porém crítica. A fé e reverência dos Grounders são, inconscientemente, dirigidas à um Arker.

Jaha (Isaiah Washington) está propagando a ALIE-1 para os Arkers como um meio para a alegria física e espiritual, enquanto o Comandante é o líder espiritual dos Grounders com uma conexão, através da ALIE-2, com aqueles que o antecederam. Enquanto o primeiro entende que este pedaço de tecnologia cria esta fachada, o segundo o vê como sagrado e divino devido a sua ignorância sobre a existência de tal tecnologia.

Lexa vai brilhar tanto na morte como brilhou em vida. Sua presença vai continuar a ser sentida através do amor que Clarke sente por ela, do compromisso de Titus com ela e os Comandantes, e através da chama dos Comandantes. Com a ALIE-1 em busca da ALIE-2, sua potencial fusão pode permitir Lexa e os outros ex-comandantes deixarem a chama e assumirem uma forma ‘corpórea’ na Cidade da Luz. Uma vez que, não há morte lá e a essência da pessoa vive para sempre.

Além da história sobre a inteligência artificial, a morte de Lexa trará consequências que abrangem os 13 Clãs. Ela mudou as regras para “sangue não se paga com sangue” e veremos se essa sua declaração continuará a ser considerada após sua morte. Um exército está marchando em direção à Arkadia com ordens para manter um bloqueio, mas, se a notícia da morte da Comandante alcançá-los, eles vão agir por conta própria e buscar vingança para o seu povo ao invés vez de justiça, como Lexa ordenou?

A paz entre os Grounders e Skaikrus é tênue. A única esperança de sua continuação é se Kane, Octavia e os seus apoiantes derrubarem Pike e seu povo do poder. Com a ajuda de Indra, ela pode ser capaz de conter seu povo tempo suficiente para que a trégua se mantenha.

Entretanto, de volta à Polis, Murphy (Richard Harmon) pode explicar para Clarke sobre a conexão entre a 13ª Estação, Polaris, e crenças espirituais dos Grounders. Talvez, ela encontre uma maneira de usar isso para desenhar uma ligação entre os 13 Clãs e conseguir a aceitação da inclusão dos Skaikru na coalizão. Ou, se a verdade vier à tona, a reverência dos Grounders à Becca poderia ser estendida para os Skaikru, uma vez que ela era um deles. Forçado? Talvez.

O conclave irá selecionar um novo comandante e então tudo poderá mudar, a menos que a essência de Lexa reine forte no novo líder. Será que o escolhido vai ser seu protegido, Aden? Ou Ontari irá clamar por sua reivindicação como Comandante?

A morte de Lexa sacode a situação política e a ameaça de ALIE-1 torna a situação ainda mais terrível. É um mundo novo e as coisas serão mais perigosas e assustadoras do que nunca.

Antes que possamos nos aventurar neste novo mundo, vamos tirar um momento para lamentar a perda de um dos maiores personagens da TV. Lexa era uma líder feroz e autoritária. Ela foi capaz de trazer a paz para os 12 Clãs forjando uma aliança improvável e quando eles enfrentaram uma nova ameaça dos Skaikru, ela finalmente escolheu paz sobre a guerra. Amor sobre o ódio. Não sangue sobre sangue. Ela pode ter partido, mas jamais será esquecida.

Que nos encontremos novamente…