Por que todos estão falando (e twittando) sobre The 100?

Por que todos estão falando (e twittando) sobre The 100?

Eliza Taylor está acostumada a ficar coberta de lama ou sangue (ou ambos). “Suja e despenteada” é praticamente seu uniforme aos 26 anos: como Clarke Griffin, a heroína do suspense pós apocalíptico da CW, The 100, Eliza passa horas atravessando a floresta para caçar e ser caçada. Então, quando a produção – agora em sua terceira temporada – abandonou as selvas de Vancouver, aventurando-se pela primeira vez para gravar nas ruas da cidade, a atriz estava pronta para algo um pouco mais “civilizado”.

As coisas, porém, não ocorreram dessa maneira.

“Dentro de cerca de 10 minutos, um fã nos viu. E, de repente, havia 30 deles, em seguida, 60 deles, segurando cartazes e gritando e chorando “, lembra Eliza.
“O engraçado é que, nós pensamos que isso iria acontecer. Perto do final da 2ª temporada, nós calculamos que ganharíamos um monte de novos fãs, e nós acertamos! Apenas levou um tempo para as pessoas pensarem diferente a respeito da série.”

Quando The 100, inspirado na trilogia de livros de Kass Morgan, chegou em março de 2014, estreou durante a onda das distopias jovens: Divergente chegou aos cinemas na mesma semana; dois filmes dos Jogos Vorazes já haviam sido coroados como vencedores de bilheteria… Então os críticos acharam a premissa – 100 adolescentes delinquentes são enviados para Terra para saber se o planeta era habitável novamente – descartável. Até mesmo o produtor executivo Jason Rothenberg admite que as primeiras horas foram falhas.

“Francamente, nossos piores episódios são o piloto e o episódio 2”, diz ele. “Eu sinto que, se não fosse por esses dois episódios, o nosso público teria sido muito maior.”

Mas o produtor executivo traçou um novo rumo depois de receber uma nota do presidente da rede, Mark Pedowitz.

“Eu disse, ‘Não faça aquilo que as pessoas consideram ser uma série da CW'”, lembra Pedowitz. ” ‘Faça a versão que você quer fazer -. A mais obscura, a versão mais corajosa'”

E foi isso que Rothenberg fez. No quinto episódio, ele matou centenas de personagens – e então, revelou que eles haviam sido sacrificado para nada.

“Mark ligou e disse, ‘episódio incrível! Mas você pode ser ainda mais sombrio’ “, Rothenberg diz, rindo. “Eu disse, ‘Mark! Quanto mais sombrio você quer?’ “

MUITO mais sombrio, pelo que parece. Rothenberg transformou The 100 em um corajoso drama envolvendo uma guerra em terra-firme repleto de dilemas morais. Na Primeira Temporada vimos o suicídio de uma garotinha de 12 anos; na Segunda foram acrescentados médicos desesperados colhendo a medula óssea de inocentes; E, agora,uma nova ameaça? Uma inteligência artificial capaz de andar e falar chamada Alie (Erica Cerra), cuja oferta para salvar o mundo seduz alguns e aterroriza outros.

“Nós gostamos de criar escolhas impossíveis para os nossos personagens”, diz Rothenberg. “Quão longe você é capaz ir para salvar as pessoas e ainda ser considerado um herói?”

Quando os espectadores começaram a se aproximar da nova trajetória (A 2 ª temporada chegou na Netflix gringa em outubro passado, meses antes da Premier da terceira temporada), a popularidade do programa disparou. De acordo com o Twitter, a estréia da 3ª temporada em 21 de janeiro acumulou cerca de 10 vezes mais tweets do que a estréia da série e #The100 tornou-se tendência mundial. Os críticos começaram a prestar atenção – e respeito -, levando a ainda mais espectadores.

“Todo dia eu vejo dezenas de tweets dizendo: ‘Eu assisti a série toda em um fim de semana”, diz Rothenberg. “O efeito Netflix tem sido extremamente importante.” Foi tudo parte do plano. “Sentimos a série precisava de uma pausa para atrair mais pessoas”, diz Pedowitz. “Essa estratégia tem provado ser a correta.”

Os fãs não estão apenas torcendo pelas reviravoltas sombrias; eles também estão elogiando a forma como a série está quebrando paradigmas com um elenco diversificado e uma protagonista abertamente bissexual, a primeira de toda CW. O romance entre Clarke e Lexa (Alycia Debnam-Carey), líder dos Grounders, gera hashtags loucamente (o popular grito de guerra: #Clexa).

“Se pudermos tomar algo de bom do apocalipse, é que vivemos em um mundo onde gênero, sexualidade e raça não são um problema”, diz Taylor. “Há um maior problema: a sobrevivência.”

O único “problema” da recente popularidade da série? Manter toda essa atenção. O ator Bob Morley, que interpreta Bellamy, desistiu de ler tudo o que lhe enviam –

“É mais fácil para mim se concentrar apenas no trabalho”, explica ele.

Mas Eliza marca presença online. “Em seis meses meus seguidores subiram cerca de 50.000. Isso foi uma loucura! “, Diz ela. “Isso me fez mais cuidadosa. Você tem que se censurar.” Ainda bem que o caos dos meios de comunicação social não existe na Terra pós-apocalíptica.

Matéria original: Revista Entertainment Weekly issue #1403-1404