Produtor executivo se desculpa com fãs pela morte de Lexa!

Produtor executivo se desculpa com fãs pela morte de Lexa!

Jason Rothenbergshowrunner de The 100, pediu desculpas hoje pela morte de Lexa. A morte dela e de outra personagem gay em The Walking Dead foram o assunto da semana nos EUA. Foi notado que muitos personagens gays — principalmente lésbicas — acabam morrendo cedo, logo após conquistarem vários fãs, apenas para que personagens principais — normalmente héteros — possam viver. Foi posto em questionamento se não seria por conta da “família tradicional americana”.

Rothenberg já havia dito que tinha que matar Lexa pois a atriz Alycia Debnam-Careyestá no papel principal também em Fear the Walking Dead, e não poderia conciliar os papéis. Porém ele se desculpou pois só após matar a personagem viu o impacto que sua morte teve sobre o público LGBTQ.

A vida e morte de Lexa

Desde o episódio “Treze”, ao ar há três semanas, gastei muito tempo lendo cartas, blogs, tuítes e artigos de mulheres e homens arrebatados, de todas as idades, enraivecidos e tristes pela personagem Lexa ter sido morta logo após uma cena de amor com nossa heroína Clarke. Ainda estou processando tudo. Ainda aprendendo. Mas ganhei perspectiva e mais do que nunca estou profundamente agradecido a vocês, nossos fãs.

Nenhuma série ou episódio existe em um vácuo. Como audiência, carregamos conosco nossa experiência de vida, eventos temporais, e memórias de todas as histórias que já nos entretiveram (ou não). Cada relacionamento. Cada cena de amor ou ato de violência. Cada revelação ou clichê. Cada história original e, sim, cada alegoria. As piores séries apenas recauchutam a fórmula. Os melhores transcendem clichês, abrindo nossos olhos a novas maneiras de pensar, e dá boas-vindas a novas audiências.

Para muitos fãs de The 100, a relação entre Clarke e Lexa era um passo positivo para a inclusão. Me orgulho muito disso, e também do fato de nossa série estar entrando em uma 4ª temporada com uma personagem principal bissexual e um elenco bem diversificado. A honestidade, integridade e vulnerabilidade que Eliza Taylor e Alycia Debnam-Cary levaram às suas personagens serviram de inspiração para muitos fãs. Sua relação obteve maior importância do que jamais imaginei. E essa importante representação foi levada embora por uma bala perdida.

O pensamento por trás da extrema tragédia sendo após extrema alegria era para aumentar o drama e destacar a fragilidade da vida. Mas o resultado final tornou-se algo completamente diferente — a perturbação perpétua da alegoria “Enterre os Gays”. Nossa promoção agressiva do episódio e da relação em questão apenas alimentaram um sentimento de traição.

Embora agora entenda porque estas críticas ocorreram, elas me deixam de coração partido. Asseguro que enterrar, machucar ou fazer alguém de isca nunca foi nossa intenção. Não é quem eu sou.

No mundo das séries ninguém está seguro, e qualquer um, mesmo uma personagem amada, pode morrer a qualquer momento. Minhas séries preferidas seguem um estilo parecido de urgência elevada. Há muitas razões para esse episódio ter ocorrido da forma que ocorreu: prática (uma atriz estava deixando a série), criativa (é uma história sobre reencarnação) e temática (é uma série sobre sobrevivência). Apesar de minhas razões, ainda escrevo e produzo televisão para o mundo real, onde alegorias negativas e ofensivas existem. E sinto muitíssimo por não ter enxergado o fato tão inteiramente quanto deveria. Sabendo tudo o que sei agora, a morte de Lexa teria se desenrolado de outra forma.

The 100 é uma tragédia pós-apocalíptica que se passa 130 anos no futuro. É uma constante luta por vida e morte. Na nossa série, todos relacionamentos surgem com uma pergunta: ‘Você pode me ajudar a sobreviver por hoje?’. Não importa sua cor, identidade de gênero, ou se é gay, bi ou hétero. As coisas que nos dividem como cidadãos globais atualmente não importam na série. E é essa a beleza da ficção: podemos criar uma situação sem precisar seguir padrões. Podemos dizer que raça, sexualidade, gênero e deficiência não deveriam nos segregar. Podemos elevar nossos pensamentos e te levar em uma baita viagem ao mesmo tempo.

Mas fui fortemente lembrado de que a audiência vive essa viagem no mundo real — onde jovens LGBTQ encaram repetidas discriminações, sofrem de depressão e cometem suicídio em uma taxa bem mais alta que seus iguais héteros. Onde pessoas ainda sofrem discriminação por causa da cor de sua pele. Onde, em vários lugares, mulheres não têm as mesmas oportunidades que homens, especialmente mulheres LGBTQ, que encaram desigualdade ainda maior. E onde personagens de TV ainda não representam totalmente as diversificadas vidas de nossa audiência. Nem perto disso.

Aqueles que são sortudos o bastante e têm uma plataforma para contar histórias têm também a oportunidade de expandir as fronteiras da inclusão, e não deveríamos tomar isso como garantia.

Para aqueles se questionando sobre o futuro de The 100, ela é uma série onde pessoas não superam as coisas rapidamente. Isso vale para ferimentos físicos e emocionais.Clarke está experimentando uma grande perda de alguém que amava, e carregará essa perda para sempre. Espero sinceramente que nossos fãs que se identificaram com a relação entre Clarke e Lexa se confortem pelo menos um pouco sabendo que o amor delas foi bonito e real.

Créditos: Sobre Séries