Jason Rothenberg faz uma retrospectiva da trajetória da série, o final da 3ª temporada e mais!

Jason Rothenberg faz uma retrospectiva da trajetória da série, o final da 3ª temporada e mais!

Atuando pela primeira vez como Criador de Conteúdo, o produtor executivo de The 100Jason Rothenberg – encontrou alguns obstáculos em seu caminho, como por exemplo, o desafio de ser pela primeira vez um um Criador, sobre a estréia instável de uma série para a pressão de uma base de fãs que aumentam à cada segundo. Navegando em enredos mais sombrios ao passar dos anos, ele resolveu arriscar tudo, permitindo que a série encontrasse telespectadores mais apaixonados – e conseguir fazer o suficiente para que o tópico #The100 no Twitter aumentasse dez vezes mais desde a sua 1ª temporada.

Nada mal para uma série que, até então, é secundária da CW. Rothenberg conversou com a EW, alguns dias após o término das gravações da 3ª temporada – e dias antes do episódio 3 ir ao ar – e falou sobre a marcante trajetória de The 100, seus fãs e, eventualmente, o seu fim.

Entertainment Weekly: Quando a série foi escolhida e você começou, em algum momento passou pela sua cabeça o quão sombria ela se tornaria?

Jason Rothenberg: Quando você vende uma série, você está tentando fazer algo que a emissora irá gostar e querer, e foi por isso que no episódio Piloto havia mais de um drama adolescente. Minha sensibilidade para o programa sempre foi mais sombria, e o próprio Piloto teve uma reviravolta bem sombria. O personagem Jasper tem uma lança arremessada em seu peito e morre, bem, pelo menos no roteiro morria. A única razão pela qual ele acabou não morrendo foi porque Devon Bostick foi tão incrível que eu fiquei com medo de perder um ator tão talentoso logo no começo, e então mudei de ideia.

Mas eu acho que rapidamente conseguimos enviar o recado de que ninguém estava à salvo, que as pessoas realmente poderiam morrer. Nós fomos muito sortudos porque Mark Pedowitz (Presidente da CW) nos disse, “Nós queremos que você seja sombrio.” Eu continuei sendo sombrio e ainda mais sombrio, sendo que no episódio 5 nós matamos trezentas pessoas sem nenhum motivo concreto. E então ele ligou e disse, “Episódio incrível! Você consegue ser sombrio!” [Risos] E então eu respondi, “Mark! O quão mais sombrio você consegue suportar?” Ele é um ótimo fã de carteirinha para se ter.

Entertainment Weekly: E qual foi a chave para essa transição? Você teve o apoio, mas precisava fazer com que o enredo fosse natural e que não confundisse os telespectadores com o rumo da história. Como você manejou isso?

Jason Rothenberg: Nós não agimos no impulso e falamos, “O quão sombrio podemos nos tornar?” Nós gostamos de trazer à tona vários assuntos e abranger diversas escolhas para os personagens. Este é o nosso ingrediente secreto… O quão longe você iria para salvar o seu povo e ainda ser heroico? Em que ponto o mocinho se torna o vilão na tentativa de obter um resultado positivo para si e para o seu povo?

Entertainment Weekly: E em que momento você percebeu que esse era o ingrediente secreto?

Jason Rothenberg: Episódio 4 da 1ª temporada (quando uma garota de apenas 12 anos se joga do penhasco) foi quando eu percebi várias tonalidades diferentes para se discutir dentro da série. Claro, houveram momentos de escolhas que os personagens enfrentaram que eram impossíveis.

Entertainment Weekly: Com você tendo dito isso, quando você acha que a série realmente atingiu o seu auge no enredo? Foi ainda na 1ª temporada ou você acha que foi com o enredo de Mount Weather na 2ª temporada?

Jason Rothenberg: Primeiramente, para ser bem franco, eu acho que os nossos piores episódios foram o Piloto e o episódio 2 da 1ª temporada. Eu sinto que, se não fosse por esses dois, nossa audiência teria sido muito maior. Muitas pessoas pararam de assistir à série por conta desses dois episódios e nunca mais voltaram a assistir. Eu amo a 1ª temporada, mas creio que a 2ª temporada nos levou ainda mais longe e elevou ainda mais as nossas apostas. Uma das coisas que eu mais gostei é que estamos expandindo os nossos horizontes, e estamos construindo um universo. O enredo de Mount Weather nasceu deste pensamento… Esta é a minha parte favorita do programa. São infinitas escolhas para se continuar brincando e jogando.

Entertainment Weekly: Além dos ganchos no enredo, o que você pensa sobre o envolvimento da Netflix em ajudar os telespectadores a encontrar a série? Foi algo parecido como o que ocorreu com Breaking Bad, onde as pessoas acompanharam a série após algumas temporadas já terem sido finalizadas, e então decidiram acompanhar ao vivo.

Jason Rothenberg: Bem, pelo meu entendimento da popularidade que Breaking Bad teve, que foi avassalador, nós estamos definitivamente experimentando esse tipo de onda, mas que ainda não alcançou o fenômeno que Breaking Bad foi. Mas com isso sendo dito, eu realmente acredito que a nossa série seja incrível. Uma das coisas que mais gostamos no programa é que cada episódio acaba com um enorme gancho. E quando você faz isso, você faz com que as pessoas continuem querendo acompanhar… E isso eu acabo percebendo on-line. É quase inacreditável, mas eu já vi muitas vezes as pessoas amando o programa e acabar vendo o episódio ao vivo. Todo dia no Twitter, eu vejo diversos e diversos tuítes dizendo, “eu assisti a temporada em um final de semana.”

Entertainment Weekly: Isto acabou afetando o modo como você resolveu escrever a 3ª temporada? Uma vez que você percebeu que as pessoas estavam ficando compulsivas com o programa, você pensou “Oh, eu tenho que continuar fazendo essas reviravoltas com os personagens!”

Jason Rothenberg: Não, nós não estamos contando o enredo de formas diferentes por conta desses últimos acontecimentos. Eu só acho que é uma união natural para a sensibilidade do programa com a forma de construir histórias para as pessoas assistirem.

Entertainment Weekly: E sobre os fãs? Você é bem ativo no Twitter, e tem visto pessoas argumentarem sobre os casais. Isto afeta o modo com que você escreve o enredo?

Jason Rothenberg: Para ser honesto, nem um pouco. Eu nunca penso, “Bem, eu realmente preciso suprir a necessidade das pessoas que precisam ver esses dois juntos.” Não é assim que a minha mente trabalha. Nós estamos contando a história que achamos que seja a melhor, e sabendo disso, temos a consciência que estamos irritando certas pessoas, já que estamos tomando certas decisões. Infelizmente, em relação ao fenômeno que é gostar de certos casais, é meio que uma espécie de faca de dois gumes, onde as pessoas realmente são apaixonadas e isso as motiva à assistirem ao programa, mas eu não gosto quando isso acaba colocando vários grupos uns contra os outros. Eu acho difícil de escutar e assistir. Francamente, é ridículo quando as pessoas começam a discutir e ficam dizendo coisas negativas se um casal já afundou ou não, entende?

E a propósito, as pessoas que estão recebendo exatamente o que elas querem estão sendo desagradáveis com as pessoas que não estão recebendo o querem, então eu não estou falhando em nem um dos lados. Eu só acho que todo esse fenômeno, é incomum. É uma experiência nova para eu observar… Como uma série secundária, se ninguém gostar da história, de qualquer jeito, não há nada que possamos fazer à respeito, porque nós escrevemos e filmamos tudo antes qualquer pessoa assistir. Em um nível de produção, não estamos correndo para ir ao ar em certa data.

Entertainment Weekly: Olhando para o futuro, você falou um pouco sobre ter uma ideia de como será o final da série. Você pode explicar o que isso significa? Você tem um final em mente, ou uma cena final, ou até uma lista dos personagens que irão morrer no final?

Jason Rothenberg: Todos citados acima. Eu tenho uma ideia em mente de como a séria deveria terminar. Eu não penso que esse é o tipo de programa que será para sempre e continuará interessante. Agora, talvez outras escolhas acabem entrando no caminho, e talvez eu acabe aparecendo com algo do tipo, “Nossa, isso precisa de pelo menos mais três temporadas para se desenrolar!” Certamente haverá outras considerações que saem da minha zona de consideração, mas para minha pessoa, como um contador de história, eu gosto de coisas que tem um final definitivo.
Eu lembro de quando Lost teve a aprovação de que deveria terminar na 6ª temporada. Deve ter sido algo criativamente libertador para a equipe, sabendo que estariam escrevendo para um eventual fim… É tudo sobre saber a hora de parar, entende? Nós criamos cada temporada como se fosse um filme. Todas as nossas histórias são tentando ser voltadas para criar um final, voltadas para um fim.
Entertainment Weekly: Quando você está escrevendo e traçando uma temporada, você sempre começa pelo final?
Jason Rothenberg: É engraçado, a primeira temporada, quando eu assumi a série, eu nunca havia feito isso. Eu nunca havia estado em uma equipe como escritor, então eu estava aprendendo. Eu não acho que estávamos chegando a um fim com a 1ª temporada. Eu sabia que estávamos indo para Mount Weather no final da temporada, mas eu não sabia o que iríamos encontrar lá. Eu não sabia que iríamos trazer a Arca para a terra. Essa ideia foi do outro escritor, Bruce Miller, que teve a ideia no meio da temporada, o que eu achei incrível. No começo eu fiquei, “Você está louco? Nós gastamos milhões de dólares naqueles set de filmagens da Arca!” Mas então, eu descobri um modo daqueles set de filmagens da Arca continuarem vivos, só que apenas em terra firme.
A 2ª temporada, eu sabia o final. Eu sabia que estava tentando contar uma história, você sabe, em qual momento o mocinho se torna o vilão? Eu estava puxando Clarke (Eliza Taylor) para essa direção. Ela estaria arrasada e não iria ser capaz de voltar com o seu povo. Eu sabia que isso iria acontecer.
Entertainment Weekly: Você mencionou que Lost foi uma série em que você admirou a estratégia que optaram tomar. Houve outras séries que te inspiraram para escrever The 100?
Jason Rothenberg: Quando eu, originalmente, vendi o programa para CW, “Battlestar Galactica no espaço e Lost em terra firme,” como eu gosto de colocar… Game os Thrones eu amo, The Walkind Dead, eu amo, e eu não sei quais são os orçamentos destes dois programas, mas eu posso garantir que nós com bem menos, ainda sim somos comparados à estas pessoas de grande nível. Para eu, esse é um dos maiores elogios. Isso é graças à nossa equipe em Vancouver.

© Tradução: Andressa Montagna – Equipe The 100 Brasil – Não reproduza sem os créditos.