Jason Rothenberg fala sobre a sexualidade de Clarke, o retorno de Lexa e muito mais

O produtor executivo Jason Rothenberg aborda aspectos da nova temporada e sobre o episódio de estreia, “Wanheda: Part One”, nesta entrevista divulgada pelo site variety.com. A 2ª parte desta entrevista será postada após o quarto episódio da 3ª temporada de “The 100”.
Confira abaixo!

A primeira coisa que eu reparei no início da 3ª temporada foi a dimensão; a sensação épica de alguns novos cenários. De certa forma, tem o estilo de “O Senhor dos Anéis” na narração e no visual da série na 3ª temporada. Por que ir para um lugar maior?

É o tipo de história épica que eu gosto. Eu adorei “O Senhor dos Anéis”. Eu também amo “Game of Thrones”. A razão pela qual fizemos isso, foi porque podíamos. Os personagens desceram à Terra na 1ª temporada e conheceram o mundo — foi tudo o que vimos. O que me mantém animado temporada após temporada, é transportar estas pessoas para novos mundos e vê-los interagindo com novos personagens. Quanto mais eles veem o mundo, mais nós vemos do mundo.

O que você acha que aprendeu nas duas primeiras temporadas? Enquanto está construindo essas histórias, você se sente dividido entre o que você quer e o que você precisa fazer?

Seria hipócrita de minha parte dizer que só descobrimos o que iríamos fazer após o quarto episódio da primeira temporada. Porque a verdade é que, eu sabia assim que começamos, que iríamos eliminar vários personagens nessa temporada. No primeiro dia, na sala dos roteiristas, eu disse: “Isso vai acontecer. E isso é o que iremos fazer”.

Mas apenas em termos de encontrar o limite, a escuridão e a realidade [o que levou algum tempo para entendermos]. O pilot terminou com uma lança no peito de um dos nossos personagens principais e que deveria tê-lo matado. Mas Devon era tão bom como Jasper que nós não o matamos. Na época, nós pensamos: “Se matarmos ele agora, as pessoas irão nos matar”. Precisávamos descobrir rapidamente uma maneira de mudar isso — para conseguir a credibilidade [acima da vontade de matar personagens], caso contrário, perderíamos isso.

Então, no final do terceiro episódio, tivemos a morte de Wells, em seguida, tivemos o enforcamento de Murphy e, em seguida, Charlotte pulando do precipício. E, claro, eliminando um por um. Os episódios três, quatro e cinco foram como, bum, bum, bum — e aqui estamos nós e é aqui onde iremos ficar. Estamos dizendo: “Não existe certo ou errado. O mocinho é difícil de definir”.

Nós mostramos isso na segunda temporada. No início da temporada, eu sabia que Clarke ia matar Finn, mas eu não sabia como. Eu sabia que no final da temporada, ela iria expor à radiação cada homem, mulher e criança na Mount Weather. Existe algumas batalhas sobre como a história é moldada. Você tem que superar o instinto de sempre querer ter um final feliz. Eu tenho várias pessoas ao meu redor que são muito, muito úteis para criar ideias geniais, para me manter no caminho certo e certificar de que eu fiz a coisa certa. Kim Shumway [roteirista], por exemplo, estava sempre ali dizendo “Não, não, nós temos que fazer isso. Temos que expor todos eles à radiação. Nós temos que fazer isso. Não podemos continuar molengas e deixar as crianças escaparem ou qualquer outra coisa”.

Liberar a radiação, pelo que eu pude ver de forma clara, não era a única opção — Clarke tinha razões para fazer e razões para não fazer isso. Cada uma destas escolhas seria válida.

Bem, eu acho que você tem que ganhar essa credibilidade em uma audiência. Se você acha que qualquer um que não seja os principais é que pode morrer na série, então você está assistindo a série errada. Você vê as coisas acontecendo e diz: “Não, não. De jeito nenhum eles vão matar a Clarke. Ela é a líder”. Mas então você pensa consigo mesmo: “Hmmm, bem, eles mataram o Finn”. Então, você nunca sabe. O protagonista não é invencível, e eu acho que é importante realmente sentir o drama.

Mas com Clarke, por exemplo, existe algo pior que você pode fazer com um personagem do que matá-los.

Você pode fazê-los conviver com isso.

Exatamente. Algumas séries pensam que a única consequência ruim é uma explosão ou uma morte, quando, na verdade, um personagem que tem que continuar sabendo o que ela sabe — sabendo o que ela fez, mesmo por razões que ela acreditava — pode ser pior.

Certo. Esse é o outro lado da moeda para se fazer uma escolha obscura. Se iremos irradiar a Mount Weather [ou qualquer outra coisa], então você tem que ser honesto de como isso afetará os personagens daqui para frente. Você não pode deixar sem nenhum significado. A lesão de Raven causada por Murphy na 1ª temporada — isso irá ficar com ela para sempre. Ela agora está desestabilizada. Eu não quero um tapinha nas costas por isso, porque eu tenho certeza de que um monte de séries também teria feito isso dessa forma, mas quantas vezes você já assistiu a uma série onde de repente o personagem se machuca gravemente e depois já está curado? Eles esquecem que isso aconteceu.

Alguém quebrou um braço terça-feira, mas está bem agora.

Certo. Às vezes você não tem escolha e, as coisas acontecem tão depressa. Eu vejo a cena e penso: “Ele deveria ter mais hematomas no rosto porque ele apanhou no episódio anterior”. Nossa equipe de produção é tão incrível com essas coisas, e eles não cometem erros. Eles sabem que é assim que eu quero que seja — eu quero deixar uma marca.

Então, está próximo a volta de Alycia Debnam-Carey como Lexa?

Sim. Tem sido um pouco complicado para Alycia. Tivemos que negociar com a AMC, no início da temporada, a respeito de em quantos episódios precisaríamos dela.

Você pode nos dizer quantos serão?

Eu não acho que seja uma boa ideia. Ela tem sido incrível. E se alguém viesse até mim com o mesmo pedido para um de nossos atores, eu faria o meu melhor para fazer isso funcionar. Especialmente porque este personagem em particular foi antes de seu papel em “Fear The Walking Dead”. Isso é sempre uma preocupação quando você tem um ator em sua série que está arrasando — e que alguém quer pegá-lo e torná-lo um regular em outra série, já que você não faz isso. É o que aconteceu neste caso. Você sabe que não pode competir com o cachê de uma série como esta.

Entre Clarke e Lexa existe algo obviamente importante para alguns fãs do fandom de “The 100”. E, claro, eu entendo que no início da terceira temporada, Clarke não estava em um momento onde ela poderia pensar em um caso amoroso com Lexa.

Elas deram um tempo.

Um grande tempo. Em “Wanheda: Part One”, você mostra Clarke dormindo com Niylah, a mulher do posto de trocas. Lhe deram um tempo para fazer isso, dada a forma como muitos Clexa shippers estão lá fora?

Na verdade não. Eu vi algumas discussões interessantes na internet, em que as pessoas questionaram se Clarke era de fato bissexual, porque eu suponho que para alguns parecia que Lexa foi quem forçou [o beijo]. Eu sabia que Clarke estava nesta viagem na terceira temporada, fugindo de si mesma e se escondendo do que ela fez, escondendo-se psicologicamente de si mesma. Mudando sua aparência, porque as pessoas iriam reconhecê-la quando ela fosse ao posto de trocas ou onde quer que ela fosse. E ela foi fazer sexo e seguir seu caminho na terra pós-apocalíptica para tentar escapar. Ela fez sexo para poder esquecer os problemas. Eu sabia que ia acontecer. No início, eu não sabia se ia ser com um homem ou uma mulher. Mas foi importante que tenha sido com uma parceira do sexo feminino, porque eu senti que precisava ficar claro que ela é bissexual. Eu não costumo tomar decisões com base nisto. Mas eu não quero que haja qualquer dúvida sobre isso.



© Tradução e Adaptação: Karla Nogueira – Equipe The 100 Brasil – Não reproduza sem os créditos.