Jason Rothenberg fala sobre morte, o toque final da temporada e a segunda temporada

Jason Rothenberg fala sobre morte, o toque final da temporada e a segunda temporada

Situado 97 anos após uma guerra nuclear que acabou com a vida na Terra, os sobreviventes restantes são os moradores de uma dúzia de estações espaciais, combinados para formar a Arca. Depois que seus sistemas de apoio começam a falhar, uma centena de jovens delinquentes são enviados à Terra para descobrir se é seguro para habitar. Para o 100 (agora menos), a ameaça de morte aumenta e, muitas vezes, os suspeitos e as vítimas são surpreendentes. Tomemos, por exemplo, a passagem repentina do filho do chanceler no terceiro episódio (causa de morte: a garganta cortada) ou o sacrifício em massa na quinta para diminuir drasticamente a população na Arca.

“Eu sempre soube como eu queria que o show, o tom e a violência fossem”, o produtor executivo Jason Rothenberg fala ao The Hollywood Reporter sobre a postura de sobrevivência.

 

Em um bate-papo com o THR, Rothenberg discute a natureza violenta do show, estar na The CW, equilibrando romance e o que está por vir na segunda temporada.

O que foi o mais surpreendente para você sobre o que os telespectadores vêm achando?

Quando nós fizemos o piloto, eu sabia que esse abate no episódio cinco ia ir por esse caminho. Eu sabia que nós estávamos indo para matar essas pessoas – que a chamada ia chegar tarde demais para salvá-los. Eu tive esse pensamento o tempo todo e isso não é a maneira que eu acho que a maioria dos shows teriam feito isso, certamente não a maioria dos shows na televisão. Então, o que tem sido emocionante para mim é ver a reação das pessoas quando começam a entender o que estamos fazendo. Pessoas que gostam do show desde o início, isso é ótimo e eu adoro bons comentários a qualquer momento, mas eu realmente gosto dos comentários quando as pessoas falam tipo “Eu pensei que o show seria uma m–da, mas agora eu amo isso!” Esse é o melhor comentário, porque eu trouxe essa pessoa de volta.

A série é na CW, que tem programas como The Vampire Diaries e Reign em sua programação; havia uma barreira que você tinha que quebrar?

Por bem ou mau, a CW tem uma coisa especial que eles fazem e são conhecidos por isso. Por bem ou mau, a comunidade de ficção científica – que eu me considero um membro – tem um pouco de uma atitude a respeito disso. Demora um pouco para conquistar essas pessoas de vez. Quando passamos do episódio dois para o episódio três, [quando] matamos Wells, e para o enforcamento no quatro e o abate no cinco, foi quando nos demos conta do que isso seria. Espero que, assim como pessoas que assistem The Walking Dead ou Game of Thrones, comecem a dizer: “Há algo interessante acontecendo por aqui. Talvez devêssemos dar uma chance.”

Por ser na CW, como você atinge esse equilíbrio de ter bastante romance, juntamente com a ação?

Há uma espécie de afetação para o romance em alguns de seus shows e eu trabalho contra isso. Eu acho que nós provavelmente fizemos um pouco demais disso nos primeiros episódios e uma vez que encontramos o show, o show como ele é para mim não se trata de nada disso. Eu acho que será sempre uma história contínua ou romance, mas nunca vai ser sobre isso. Encontramos equilíbrio em torno do episódio quatro e cinco, onde isso existe, mas não sobrecarrega a história que estamos contando; ela existe em seu devido lugar. Eu às vezes falo sobre a hierarquia de necessidades de Maslow, que é uma pirâmide – no fundo estão as coisas de sobrevivência, como se temos comida suficiente e se podemos dormir com segurança à noite aqui. Quando você está preocupado com esse tipo de coisa, você não está tão preocupado com o que a próxima pessoa que você está dormindo está, ou quem está dormindo com quem. Essa é a ideia que existe maior na pirâmide e não vamos chegar lá neste show. É uma ação-aventura em primeiro lugar; há elementos de romance nele, mas eu também digo que Star Wars teve um triângulo amoroso, Indiana Jones tinha uma namorada. É aí que ela existe para nós, apesar do que algumas pessoas no Twitter gostariam.

Você se surpreendeu por certos casais obterem mais atenção do que você pensou?

Sim, um pouco. Estou um pouco surpreso com o quanto a coisa Bellamy-Clarke decolou. Eu entendo isso perfeitamente. Eu acho que ambos os atores são ótimos e os personagens são diametralmente opostos um ao outro por um longo tempo e há uma química incrível entre Eliza [Taylor] e Bob [Morley]. Isso não me surpreende em retrospectiva, mas certamente não era uma relação que estávamos escrevendo para no início da temporada e não é que estamos escrevendo para agora, francamente. Não é algo que eu fechei a porta, mas, novamente, não é sobre isso. É sobre a cereja, e não o bolo.

Qual foi a morte mais difícil de escrever?

[Morte de Wells] foi o mais difícil, porque Eli [Gorée] era um membro da família. Para dizer adeus a um membro da equipe é difícil, mesmo que só no terceiro episódio. Sabíamos que tínhamos de fazê-lo. Precisávamos anunciar de uma forma dramática que ninguém estava a salvo e se o filho do chanceler poderia ir, então qualquer um também poderia. Shows como Game of Thrones, The Walking Dead, que eu gosto bastante, têm vantagens que nós não temos – eles podem fazer muito mais com violência e sexo do que nós podemos fazer. Parecia cedo e que precisávamos plantar a bandeira: Nós podemos. Podemos fazer coisas que vão chocar. Isso é o que a morte comprou para nós.

O 100 certamente não tem medo da morte. Há mais por vir antes do fim da temporada?

Nós não temos medo de deixar a violência ser real. Nós não temos medo de deixar a morte ser algo que poderia acontecer a qualquer momento para qualquer um. Não é a última vez que isso vai acontecer com um personagem importante. Esse é o tipo de mundo que eles se encontram dentro. É um mundo onde estes Grounders, isso é tudo que eles já conheceram , e agora o 100 são apanhados no meio desta batalha em curso e guerra por recursos e território. Se eles sobrevivem ou não está certamente em questão.

No último episódio, Clarke viu a nave cair pensando que sua mãe estava a bordo. O que você pode dizer sobre como este próximo episódio começa?

O episódio 10 é provavelmente o meu episódio favorito até agora. É bem feito em todos os níveis. Ele tem dilemas morais, que eu acho que faz desse show algo único – o episódio de enforcamento era sobre crime e punição, e episódio de tortura, o episódio sete, onde não há uma resposta fácil. Ambas as respostas são ruins e você tem que descobrir qual deles soa melhor para mim. O episódio 10 é assim. É uma hora incrível – não é o melhor da temporada, mas é o melhor até agora. Às vezes eu comento no Twitter sobre coisas assim, mas eu nunca menti. Eu não exagero nos episódios apenas por exagerar. Há episódios que eu não gosto tanto. Eu não gosto do oito [“Day Trip”] ou o episódio que eu tenho crédito por ter escrito, o dois [“Earth Skills”].

O que você pode dizer sobre o relacionamento de Lincoln e Octavia e o que está por vir para eles?

Como foi escrito no piloto e no segundo episódio, Octavia era só uma criança selvagem que estava livre pela primeira vez em sua vida e que não era simpática e ela estava um pouco sacana. Agora ela cresceu para se tornar alguém que é quase o centro moral. Clarke diz: “Vá torturar o cara”, e ela diz: “Não, ele estava tentando me ajudar.” Ela potencialmente se sacrifica e acaba sendo a única que acaba salvando Finn ao esfaquear-se com a lâmina envenenada, que é, provavelmente, quando você começa a gostar dela. Em nove anos, ela está no lugar certo da moral novamente.

O que eu vou dizer sobre o relacionamento deles é que os 100 desembarcaram no meio deste conflito permanente com essas pessoas que são guerreiros. Os Grounders não se tornaram guerreiros do dia pra noite, essas pessoas desembarcaram no chão, eles estavam lutando com algo ou alguém antes que os 100 chegassem. Quando Anya e Clarke se encontram na ponte, começamos a contar essa história. Vamos começar a encontrar essas outras pessoas e vamos começar a descobrir o que está no chão. E por causa de Lincoln e Octavia – em grande parte Lincoln – percebemos que os Grounders tem um ponto de vista. Eles não são os vilões que pensávamos que eram e estamos virando o navio quando nos damos conta, oh merda, eles têm as suas próprias histórias e perspectivas sobre o que aconteceu!

Há chance ter haver um pacto entre os Grounders e os 100?

Lincoln representa o fato de que eles não são totalmente ruins e ele não está sozinho nessa. Existem outros como ele. O problema é: já passamos muito por este caminho de guerra para dar uma chance e vivermos juntos? Na segunda temporada, uma das histórias que vai aprofundar é a relação entre os 100 e os nativos que já estavam aqui. É um pouco semelhante aos colonos e os nativos americanos e quão mal nós estragamos tudo, e a esperança é que o povo da Arca não estraguem tudo também. Mas, eles provavelmente irão.

Como você descreveria estes últimos quatro episódios?

É épico. O final da temporada é Braveheart. Os Grounders estão chegando, o ataque contra os 100 e haverá uma grande quantidade de vidas perdidas até o final da temporada.

© Tradução: Thais Medeiros – Equipe The 100 Brasil – Não reproduza sem os créditos.

  • Tá ficando mais boa do que eu pensei!