A incrível jornada de uma das melhores dinâmicas em The 100 — Raven e Murphy!

A incrível jornada de uma das melhores dinâmicas em The 100 — Raven e Murphy!

The 100 tem diversas e incríveis amizades, parcerias e romances, mas o relacionamento complicado entre Murphy e Raven é, particularmente, poderoso.

Raven Reyes e John Murphy tiveram uma bagunçada porém, uma curiosa intrigante dinâmica desde que ele atirou nela no final da primeira temporada.

Enquanto Murphy não estava mirando especificamente em Raven, ele apenas tentou enforcar e matar o Bellamy — seu amigo e aliado — e causou aos seus outros amigos uma significante dor. Não foi uma surpresa que enquanto ela estava sangrando no chão da espaçonave e ele acabou caindo na mira do seu rifle, ela puxou o gatilho.

The 100 Raven season 2

Mas, quase como se fosse destino, ela estava sem munição. E Murphy (que também acreditava estar morrendo) deslizou para o chão, inimigos deitados lado a lado em um campo de batalha esperando a morte.

Murphy até se importou com Raven do melhor jeito que podia, alegando que fez isso porque não queria morrer sozinho — mas até esse momento, é seguro dizer que ali havia um misto de culpa também. Ela correspondeu ao perguntá-lo sobre o seu passado trágico, que ele forneceu, e ela acabou percebendo que ele até poderia ter um coração.

Na sequência desta cena, ele foi originalmente destinado a ser ainda melhor. Uma cena excluída da série The 100 revela que a disposição para ajudar um ao outro foi para ambos os lados, com Raven oferecendo Murphy um pedaço de corda — não para pendurar-se, mas para ajudá-lo a permanecer vivo.

Com ou sem essa inclusão de cena, é seguro dizer que enquanto eles estavam deitados no chão, algo mudou entre eles. Se eles tivessem morrido naquele dia, certamente não seriam amigos, mas pelo menos teria sido em uma amarga e arrependida solidariedade.

Mas eles não morreram naquele dia, e Murphy estava em uma lenta e relutante redenção, atravessando a metade de uma temporada de ‘cala a boca Murphy’ até mesmo quando ele —  para a sua própria sobrevivência, mas talvez como uma punição também — começou a trabalhar para e junto com os delinquentes.

Quando Finn massacrou aquele vilarejo dos Grounders, Murphy tentou pará-lo. Murphy, após toda a sua campanha de ser o vilão do ano na primeira temporada, sempre teve mais consciência do que ele mesmo gostaria de admitir, e aprendeu do pior jeito que uma vingança não é a resposta.

E Raven, por conta do que eles passaram naquela espaçonave, se tornou inextricavelmente ligada a essa consciência. Então quando ela perguntou à ele para ajudar a proteger o Finn, ele ajudou, e quando acabou ela o trouxe apenas para lhe entregar aos Grounders, havia lágrimas em seus olhos ao perceber o quanto o seu ódio por ele era profundo.

Murphy estava com raiva, estava com medo, e acima de tudo ele estava magoado que, após tudo o que eles passaram e o quanto ele tentou ajudar, Raven ainda tinha tanto desprezo por ele que considerava que sua vida era dispensável.

Raven estava confirmando os piores pensamentos que ele tinha sobre si mesmo, validando o seu próprio auto-desprezo e confirmando que não importava o quão duro ele tentava ser melhor, ele nunca poderia compensar pelo que tinha feito — e que, se tivessem voltado a espaçonave, ela ainda teria puxado o gatilho.

Raven, claro, tinha todas as razões do mundo para desprezá-lo, e da sua perspectiva, sacrificando Murphy para salvar Finn era uma escolha fácil. Considerando que esses dois personagens estão, praticamente, em lados opostos do espectro da moralidade, Raven não está esperando nem sendo obrigada a perdoá-lo, e Murphy certamente não tem qualquer direito de exigir absolvição dela.

Raven é uma das, senão a melhor, de todos os personagens de The 100, seu cérebro e sua confiança lhe dando toda a força necessária para lidar com todos os horrores na Terra. É correto afirmar que ela experimentou mais trauma do que a maioria dos personagens na série, mas ela também é a personagem com a maior tenacidade e força de espírito, e tem emergido mais forte após cada dificuldade.

Ela é uma força de inspiração que sempre esforça-se para fazer o melhor, e não resta dúvidas de porque Murphy parece se agarrar à ela como sendo a única que pode julgá-lo; ela mereceu esse direito. Do seu jeito, ele sempre a respeitou, e talvez até mesmo reconheça sua incapacidade compartilhada de desistir (A única maneira em que os dois personagens são verdadeiramente muito parecidos).

Foi também por isso que, para Murphy, a disposição de Raven de sacrificá-lo aos Grounders era o sinal final de que, não importa o que fizesse, nunca ganharia a confiança dos delinquentes. Finalmente, isso o levou a sair com Jaha, enquanto Raven sofria por Finn, seguiu em frente com Wick, ajudou a derrubar Mount Weather e se aproximou não apenas de Abby, Clarke e Bellamy, mas de Monty, Jasper, Harper e Miller também.

Na terceira temporada de The 100, embora Raven e Murphy interagiram muito pouco toda a temporada, eles experimentaram uma história paralela de abuso físico, Raven tentando arrancar ALIE fora de sua cabeça em Arkadia enquanto Ontari manteve Murphy nas correntes e forçou-o a ter relações sexuais com ela em Polis.

Ambos, Murphy e Raven, sobreviveram a estas graves violações e ambos desempenharam um papel enorme na luta final contra o ALIE, mas nenhum deles escaparam sem novas cicatrizes de batalha para adicionar às suas respectivas coleções.

Significativamente, este também foi o ano em que Murphy realmente formou uma conexão com Emori depois de conhecê-la pela primeira vez na segunda temporada, seus instintos egoístas de sobrevivência se expandindo para incluí-la. Como o Bonnie e Clyde de The 100, este par de criminosos suaves certamente não estão competindo para serem samaritanos do ano, mas através de Emori, Murphy está aprendendo a amar e deixar-se ser amado.

Simultaneamente, Emori serve como uma manifestação do crueldade da mentalidade de “cada homem para si” que Murphy prega, mas nem sempre está pronto para praticar e como uma “desculpa” para ele realizar cada vez mais  seus atos altruístas de compaixão.

Murphy foi até a torre de Polis no final da terceira temporada, supostamente para salvar Emori, mas acabou ficando para bombear o coração de Ontari com as mãos para manter Clarke viva e ajudar a salvar o mundo.

Primeiro, ele fez o que fosse necessário para sobreviver. Agora, ele está fazendo o que for preciso para ele e Emori sobreviverem. Quanto tempo até que esse instinto protetor se expanda para incluir mais pessoas (ou um povo)? Afinal, por mais egoísta que ele seja, Murphy sempre aparece quando alguém precisa dele.

Claro, não que ele um dia iria admitir isso para si mesmo. Murphy é muitas coisas, mas nunca tentou engrandecer a si mesmo, achando mais fácil ser o seu pior e evitando decepcionar as pessoas quando ele não pode superar as suas expectativas. Luna estava certa quando ela identificou que ele odeia a si mesmo mais do que Raven poderia odiá-lo.

Mas enquanto Murphy não respeita a si mesmo, ele claramente respeita Raven. Como evidenciado em suas cenas de “A Lie Guarded” ele sacrificaria sua própria segurança para salvá-la sem pensar três vezes (ele realmente pensou por um momento, mas veja bem, ele é o Murphy), e quando ela descarregou nele em “We Will Rise” o chamando de sanguessuga e dizendo que o odiava, realmente o magoou.

Uma parte dele ainda implora pelo perdão e validação de Raven, sua violenta explosão arruinando-o como se ela tivesse tentado trocá-lo por Finn de novo (aproveite o bônus da bondade Mecânica do Mar gratuitamente):

Agora no meio da temporada de The 100, Murphy obviamente ganhou a tolerância de alguns dos outros personagens, mais notavelmente Clarke e Abby. E na semana passada, Luna conseguiu se conectar com ele de uma maneira que poucos podiam por causa das coisas horríveis que fizeram no passado.

Mas acho que, na mente de Murphy, a única pessoa que realmente pode absolvê-lo de seus pecados, é Raven. Murphy machucou tantas pessoas, mas Raven é literalmente um lembrete ambulante de seus crimes; se ela pode perdoá-lo, qualquer um pode. Talvez se Raven o perdoasse, Murphy poderia perdoar a si mesmo.

E parece que Raven finalmente poderia estar se aproximando —  apenas um pouco, bem pouco mesmo —  a lhe oferecer o mais pequeno pedaço de reconhecimento que ele precisa, lhe dizendo “obrigado” depois que ele e Luna ajudaram a resolver o enigma do foguete no episódio da semana passada:

Com os danos cerebrais de Raven provavelmente a colocando fora de missão, por enquanto, será interessante ver como Murphy avança, e como sua dinâmica e Raven continuam a se desenvolver.

Enquanto eu não vejo uma realidade onde Raven pode e deveria ser amiga de alguém como o Murphy (ela merece estar cercada por pessoas que a fazem feliz *tosse* Luna *tosse*) há mensagens realmente fortes enterradas nesta relação sobre o perdão, amadurecimento e moralidade, e eu gosto de pensar que estamos construindo pelo menos um entendimento mútuo entre essas duas almas quebradas.

Isso iria compensar o árduo trabalho durante as temporadas para a construção de relacionamento e desenvolvimento de caráter. Uma paz intermediada entre esses personagens permitiria que Raven aliviasse um pouco a sua dor por não perdoar Murphy para pelo menos reconhecer que ele se tornou uma pessoa melhor, e levaria Murphy a um lugar onde ele já não odeia tanto a si mesmo por quem ele costumava ser.

The 100  vai ao ar toda quarta-feira, na CW.

© Tradução: Andressa Montagna – Equipe The 100 Brasil – Não reproduza sem os créditos.

  • Caroline Nascimento

    Vocês sabem em qual episodio Raven tenta oferecer Murphy para os Grounders?