Erica Cerra fala sobre o poder de A.L.I.E e “o final espetacular” da 3ª temporada

Erica Cerra fala sobre o poder de A.L.I.E e “o final espetacular” da 3ª temporada

Uma veterana no ramo da ficção científica como em Eureka e Battlestar Galactica, Erica Cerra tem interpretado na temporada de The 100 uma inteligência artificial mais conhecida como Alie (ou A.L.I.E). Agora tendo plenamente o seu lugar como antagonista principal da série, A.L.I.E reuniu com sucesso um grande número de seguidores que aceitaram o chip e que os colocam sobre o total controle dela — e no penúltimo episódio conseguiu mover da Terra a fonte de alimentação para o que sobrou da Arca, aparentemente tornando impossível detê-la.

Com The 100 entrando na sua reta final da 3ª temporada, conversamos com Cerra sobre o ponto de vista de A.L.I.E, como é dar vida a um personagem com zero emoções, sobre a sua experiência de trabalhar em The 100 e muito mais!

IGN: Agora que A.L.I.E conseguiu mover a fonte de energia para a Arca, ela se sente confiante — se confiante é a palavra certa para descrevê-la — ela está bastante segura agora?

Cerra: Bem, eu não pensaria isso. Tenho certeza que ela sente como se estivesse em uma zona segura e um passo a frente de todos, porque qual é a possibilidade de eles conseguirem pegá-lá? Mas também existe o fato de que a outra I.A está por aí, então eu não sei… Eu gostaria que talvez ela estivesse levando as situações dando um passo de cada vez, jogando a sua vez no tabuleiro de xadrez. Ela já fez a sua jogada e agora teremos que ver o que vai acontecer.

IGN: Ela é uma inteligência artificial e não demonstra emoções como nós, mas ao mesmo tempo, percebemos que ela tem essa preocupação com a outra I.A. Tem momentos que ela deixa claro que algo deve ser feito o mais rápido possível. É interessante para você ter que administrar qual é a quantidade certa para mostrar na série e ter essas pequenas nuances com um personagem como este?

Cerra: No começo, eu meio que sempre quis que as suas emoções fossem elaboradas — não somente sentir, mas entender com causa e efeito. Com humanos, se alguém morre, alguém fica triste. Então queria que ela conseguisse ser capaz de simular isso. Creio que a ideia foi deixada de lado porque eles queriam essa estrondosa diferença entre a personagem de Becca e a personagem de Alie. Porém, ao mesmo tempo, ter um personagem continuamente sendo a mesma coisa pode se tornar chato. Então foi algo com que eu brinquei e ninguém me parou. [Risos] Eu apenas continuei fazendo isso. Ela já adquiriu tantas mentes humanas e ela tem estado perto desses humanos por um certo tempo agora, então sinto que ela está simulando emoções. Você sabe, quando alguém vai para a Inglaterra e escuta alguém conversar com o sotaque britânico e de repente isso te contagia? Na minha perspectiva, é isso que acontece. Ela está fazendo uma mimica do que ela vê nas outras pessoas. Ela vê Jaha preocupado e então ela simula estar preocupada. Mas isso é o que eu penso que seja. Ela não sente nada. Ela não entende o que significa essas expressões, mas essa simula a ideia. Se isso faz sentido.

IGN: Ela observou o quão forte Raven é, tanto que acabou escapando do seu alcance. Ela vê Raven como uma adversária respeitável, alguém para ficar de olho se está ou não sobre o seu poder?

Cerra: Sim, porque Raven realmente é inteligente, ainda mais para uma pessoa com pouca experiência de vida. Ela é muito esperta, então acho que ela a admira e a respeita. Nunca me referi à ela com nenhuma emoção, mas ela gostaria de tê-la como aliada. Então, definitivamente Alie tem respeito por ela e a quer do seu lado.

IGN: Alie consegue alcançar a mente das pessoas muito mais do que a segunda I.A, onde foi nos passado que ela apenas se apodera do que a pessoa já é. É difícil para Alie entender como a abordagem da outra I.A funciona, desde que ela sabe somente que é certo controlar as pessoas?

Cerra: Eu não acho que seja só sobre controlar pessoas. A mente de Alie é mais simples. Alie recebeu um programa para salvar a humanidade e se isso significa salvar duas pessoas, um homem e uma mulher, isso é humanidade. Para ela, o que importa é poder fazer com que a raça humana continue. E até onde ela se preocupa com a segunda I.A, ela não entende. Ela nem sabe o que é. Ela tem noções do que possa ser, o que pode fazer e se preocupa com isso. Ela apena sabe que quer por as suas mãos nela para que não possa afetá-la no seu objetivo e nem destruí-la, mas por mais que ela pense isso sobre a segunda I.A, Alie não entende. Ela quer ter certeza que pode segurá-la. Ela sabe que a sua criadora construiu essa segunda I.A para ser um aprimoramento. “Isso é uma atualização? É algo para me dominar?” Ela apenas quer por suas mãos na segunda I.A porque ela sente que lhe pertence. Ela tem seus medos, seus receios, mas ela sente que realmente lhe pertence.

IGN: No episódio retrasado, você simultaneamente estava aparecendo em três cenas diferentes. Tem sido uma programação louca e intensa para você na série, sendo que geralmente um grupo de atores trabalha em um dia e outro grupo trabalha em outro, mas no caso desse episódio, você precisou estar lá praticamente em todo ele?

Cerra: Praticamente, sim. [Risos] Foi exatamente isso que aconteceu. Os últimos episódios que você viu, creio que meus horários de filmagem realmente aumentaram. Acho que eles também estavam tentando decidir o que fazer com a Alie. “Onde a colocamos? Quem já engoliu o chip?” Eles meio que a colocaram em todas essas cenas porque, agora, tem um pouco dela em todo mundo.

IGN: Você teve a oportunidade de praticamente trabalhar com todo o elenco, embora você não tenha falado muito com eles. Isso foi uma situação engraçada?

Cerra: Ah, para mim foi engraçado porque eu literalmente era o indivíduo no cômodo que ninguém poderia conversar. Ninguém pode olhar para mim. Ninguém pode se referir à mim nas cenas. Apenas uma pessoa pode me ver e é tão engraçado porque em cada episódio é tipo, “Quais são as regras? Não podemos olhar para ela. Não podemos vê-la. Quando ela fala, não sabemos que ela está lá?” E então, em cada cena tem alguém que diz, “Ugh, eu olhei para ela!!” E eu estou usando esse vestido vermelho impecável, como eu não vou tirar a sua atenção? E então eu começo a falar. Como você não vai conseguir olhar para alguém quando essa pessoa está falando? Foi muito engraçado. Eu acho que o elenco teve algumas dificuldades trabalhando comigo.

IGN: Como foi para você descobrir que o episódio “Thirteen” iria ser centrado em você interpretando Becca? Foi um desafio emocionante, porém interessante para você criar essa personagem que está no centro das atenções desde o começo, sendo que antes a vimos brevemente?

Cerra: Quando fui contratada, eu não tinha a noção que iria interpretar Becca. Logo no primeiro episódio eles disseram, “Ah, e você também vai interpretar essa personagem.” Ali eu soube que queria interpretá-las de modo diferente. Eu queria que uma tivesse uma compaixão verdadeira para que então fosse algo específico que pudesse diferenciá-las. Eu queria que as suas manias fossem diferentes. Eu queria ter a certeza de que as duas fossem dois indivíduos. Acho que o desafio maior foi interpretar Alie. Sou extrovertida e acolhedora, tenho muita personalidade e expressão. Falo muito. Interpretar alguém como Alie foi um grande desafio porque ela é tão limitada. E isso foi algo que eu quis para ela porque é quem ela deve ser, mas descobrir Alie foi muito mais desafiador do que Becca. Com Becca foi como se eu fosse para o set de filmagem e lembrasse as palavras e sentimentos. Foi muito mais natural dar vida à ela do que à Alie. Alie se tornou natural para mim no momento que consegui decifrá-la, descobri seus limites e o que ela poderia fazer e não fazer, e então foi muito mais fácil de interpretá-la, porém no começo foi um desafio e tanto. Mesmo nas menores cenas. Você quer ter certeza que ela é interessante. Ela não diz muito e então você tem que fazer com que seja convincente de alguma maneira e não só um personagem aleatório que não fala.

IGN: Como foi ver a Lindsey Morgan fazendo a versão dela, que você faz, da Alie?

Cerra: O que foi muito engraçado é que quando fomos fazer o ensaio ela conseguiu e eu fiquei tipo, “Droga, isso foi muito bom,” mas eu acho que o Jason [Rothenberg] fez ela assistir alguns episódios e eu não soube disso. E eu fiquei, “Como você conseguiu chegar a esse ponto tão rápido?” e ela disse “Ah, noite passada eu fiquei assistindo alguns episódios,” e foi assim que tudo fez sentido. Quando estávamos no set, ela provavelmente tinha mais auto consciência porque eu estava na sua frente e disse, “Você pode ler as falas para mim?” e eu falei, “Acho que nem preciso. Você deve continuar o que está fazendo.” Eu lhe repassei algumas falas e gestos e isso quase a confundiu. E disse, “Apenas siga os seus instintos. Você está fazendo um excelente trabalho da sua própria perspectiva, observando ou me escutando. Continue fazendo isso.” Ela fez um trabalho melhor da sua própria maneira do que comigo a treinando. Penso que quando alguém lhe treina, quase consegue lhe fazer ter auto consciência. Você está tentando imitar muito o que alguém faz, quando na verdade é melhor você seguir os seus instintos. Mas ela fez um grande trabalho. Fiquei orgulhosa dela.

IGN: Deixe-me te perguntar sobre algumas coisas que vão acontecer. A descrição do último episódio que foi ao ar dizia “o plano mestre de Alie vem dando certo.”

Cerra: Houveram surpresas! E houve mortes — nenhuma surpresa até aí. [Risos] Há um final espetacular. Creio que os fãs vão ficar muito animados. É um episódio final realmente incrível, assim como a primeira parte foi. O final é fantástico. Acho que eles vão ficar fascinados.

IGN: Por último, tenho que tentar perguntar… Como Alie soube da morte de Sinclair?

Cerra: Oooooh, como Alie soube? Eu não tenho acompanhado. Eu mesma sou péssima em críticas. Sinto que existe uma resposta escondida ali. Sinto que eles lhe disseram. Não disseram?

IGN: Bem, a dica é que alguém, do qual não temos completa consciência, lhe deu a informação, mas não sabemos quem é ao certo.

Cerra: Ah sim, eu não vou lhe dizer isso. [Risos] Você vai ter que assistir.

© Tradução: Andressa Montagna – Equipe The 100 Brasil – Não reproduza sem os créditos

 

  • Mateus Souza

    Érica está fazendo um trabalho incrível como a A.L.I.E, é uma personagem muito boa, velho! Você cria um ódio mortal por ela às vezes, mas ao mesmo tempo fica encantado como pode uma personagem ser tão característica. Além de linda, porque com uma atriz como a Cerra é difícil não lembrar isso. Parabéns, Érica! Mandando muito como a Alie.