Em entrevista, criador da série fala sobre a nova temporada: “Sombria, implacável, mas surpreendentemente esperançosa”

Em entrevista, criador da série fala sobre a nova temporada: “Sombria, implacável, mas surpreendentemente esperançosa”

Estamos a menos de uma semana da nova temporada, e Jason Rothenberg deu uma entrevista exclusiva ao site Hypable respondendo qualquer dúvida que ainda podemos ter antes da estréia, então confira abaixo:

 

Uma das melhores partes da terceira temporada, pelo menos para mim, foi ver todos os delinquentes se unirem novamente no final. Mas é obvio que eles irão se separar novamente na quarta, e nos primeiros episódios já podemos perceber que essa divisão será causada por ideologias diferentes, baseadas no que eles serão capazes de fazer para sobreviver . Você pode falar um pouco sobre como essa divisão pode afetar os principais relacionamentos da série?

Jason Rothenberg: Bom, primeiramente ninguém consegue entrar em consenso por muito tempo, porque isso seria tedioso. Mas com certeza eles terão impasses ideológicos ao longo dessas decisões: qual a coisa certa a se fazer nessa situação onde não há escapatória? Nós tentamos nos salvar, ou tentamos salvar nosso povo? Ou tentamos pensar em algo que salvará todo mundo?

Eu acredito que ambos pontos de vistas são válidos, e para mim, The 100 é o melhor em nos fazermos perguntar questões em que não existem respostas boas. [Na quarta temporada, episódio 2], Bellamy terá que tomar a decisão entre salvar quem ele pode salvar no momento e sacrificar alguns para salvar seu povo – e como se discute entre esse tipo de decisão? Isso que é interessante para mim. E nós obviamente trabalhamos em cima desse assunto várias e várias vezes durante a série.

E ainda existe a posição da Clarke nesta temporada: Ela meio que transcendeu seu tribalismo; ela não é mais apenas a dos que vieram do céu. E isso tem grande parte pelo seu relacionamento com a Lexa e o que Lexa ensinou a ela sobre a vida no mundo. Clarke agora vê todos como como um e está procurando um jeito de salvar todo mundo. E isso será problemático para as pessoas que ainda permanecem em seus devidos ‘lados’. É aí que um conflito interessante começa a acontecer nessa temporada.

 

 

Você pode me dizer qual personagem você está mais ansioso pela reação dos fãs na nova temporada? E tem alguém que vai ser muito surpreendente?

Em termos de surpresa, eu acho que a jornada de Octavia será incrível – Quero dizer, sua jornada tem sido incrível desde o começo – mas particularmente, nessa temporada será sensacional. Echo é uma personagem que foi surpreendente para mim, pessoalmente, e Roan também.

Clarke, como sempre, é o centro de tudo, sua jornada nessa temporada e a atuação de Eliza Taylor é maravilhosa. E Bellamy… Eu realmente não tenho favoritos, é muito difícil pra mim porque eu os amo. Eu amo muito todos os personagens. Mesmo os que estão mortos! Para mim, a morte não é o fim de um personagem. Não é tipo “eu vou matar eles porque eu os odeio.” Para mim, a morte é parte da série.

Não é segredo que a terceira temporada foi difícil, tanto para a série quanto para você sendo o produtor criativo. Você pode me dizer um pouco sobre isso, como uma experiência de aprendizado, como isso impactou na quarta temporada e nas escolhas que você fez?

O que irei dizer, com o que aprendi na ultima temporada, é que o jeito que eu vejo a série e o jeito que eu vejo as coisas, não é sempre o jeito que os fãs vêem. Eu vejo um personagem ou um relacionamento terminando tragicamente como uma boa coisa dramaticamente. Para mim, os romances mais incríveis na história são trágicos. Mas nem todo mundo enxerga as coisas desse jeito. Outras pessoas querem ver finais felizes. Mas essa não é uma série para finais felizes. Então isso é algo que eu aprendi, com certeza.

Mas, a série inspira paixão, e realmente tem sido uma honra estar envolvido em algo que mexeu tanto com o emocional das pessoas. E as vezes, essas emoções são difíceis, as vezes essas emoções são negativas a mim, mas eu consigo lidar com isso. Eu acho legal ser parte de algo assim.

 

 

Na quarta temporada, as reações dos fãs afetaram como você irá lidar com algumas histórias ou você vai simplesmente contar a história que quer contar?  

Irei contar a história que quero contar, com certeza. Nós não vamos mudar o jeito que vemos a história. Sabe, este é um monte onde personagens morrem, esse é um mundo sobre sobrevivência, não é sobre relacionamentos. Mas existem relacionamentos, claro; as pessoas amam umas as outras e isso e grande parte da história.

E irei dizer que acredito que existe mais sentimentos de esperança nessa temporada, apesar desse momento horrível que eles estão enfrentando. Existe o ditado “que não existem ateus num momento de desespero.” Essa temporada será sombria e implacável, certamente, mas também será surpreendentemente esperançosa. E isso será diferente da temporada anterior, que era apenas implacável.

É obviamente cedo demais para dizer, mas baseado em suas conversas com as emissoras e seu sendo, quais são as chances de The 100 ser renovada para sua quinta temporada?

Bem, é claro que essas conversas estão muito acima do meu nível salarial, mas eu quero dizer que estou incrivelmente otimista para a quinta temporada. A temporada que vocês verão agora termina com um gancho para uma história incrível para uma nova temporada. Então acredito que os fãs podem se manter esperançosos e otimistas.

 

 

Um dos componentes-chave do show sempre foi a parceria e justaposição de Clarke e Bellamy, que representam diferentes pontos de vista e filosofias, e geralmente precisam se reunir no final de cada temporada para resolver o grande problema. Você pode me dar uma indicação de quanto vamos vê-los trabalhando juntos na temporada 4?

Sim, eles estarão juntos nesta temporada. Eu acredito que eles tomam as melhores decisões quando trabalham juntos e lutam pela mesma causa. Nem sempre eles concordam em tudo, mas grande parte da jornada deles nesta temporada é um aprendendo com o outro.

Você já disse isso antes, que Bellamy é o coração e Clarke é o cérebro na parceria deles. Nós vamos ver isso mudar na quarta temporada?

Bellamy na maior parte é o coração. Ele não pensa o suficiente quando reage, e ele precisa aprender a começar a fazer isso para se tornar um bom líder. E essa será a jornada dele nesta temporada. Mas acho injusto dizer que Clarke também não é movida por suas emoções, pois a Clarke é boa em tudo o que ela faz. Ela é obviamente muito inteligente, mas ela também tem muita compaixão.

Então é mais sobre a evolução de Bellamy, sobre ele tentando superar as decisões erradas que ele tomou no passado. E para a Clarke, ela aprenderá a confiar em seus amigos, e perceber que talvez ela realmente não consiga resolver tudo sozinha.

Eu estou re-assistindo temporada 3 agora, e eu cheguei à parte onde Pike se torna Chanceler. Na época, parecia um conto preventivo, mas à luz da eleição e tudo o que está acontecendo no mundo real, de repente parece um pouco real demais. E agora estão enfrentando uma catástrofe ambiental, que também é muito real! Então, como você, como contador de histórias, tenta refletir o que está acontecendo no mundo real e usa a série como um veículo para explorar algumas das situações que estamos enfrentando agora?

Sim, com a liderança de Pike, nós com certeza não previmos o que estamos vivendo politicamente agora neste país (EUA). Mas, o que nós fizemos como contadores de história é que, historicamente, na esteira de tragédias muitas vezes as pessoas se voltam para os líderes errados, ou vamos para a guerra com os países errados. Às vezes tomamos decisões estúpidas, baseadas em nossa reação às tragédias, como aconteceu em Mount Weather na série. Assim que vêm de uma perspectiva histórica com certeza. E sim, eu odeio admitir, mas estamos vivendo uma situação similar.

E, ambientalmente, a coisa mais importante que temos é este planeta, o ar que estamos respirando. E eu acho que isso vai se tornar uma realidade cada vez mais rápida se não fizermos algo em breve, se já não for tarde demais. Espero que nós, como um mundo seremos capaz de nos unirmos e perceber que estamos todos juntos nisto. O ambiente não respeita uma fronteira. E de alguma forma é isso que eles estarão enfrentando nesta temporada.

© Tradução: Rhaiza Braga – Equipe The 100 Brasil – Não reproduza sem os créditos

  • Karoline Bastos Bezerra

    Deus como eu amo essa série,acompanho desde o inicio e não me arrependo <3