Eliza Taylor fala sobre o universo pós-apocalíptico, Bellarke, mulheres poderosas e mais!

Eliza Taylor fala sobre o universo pós-apocalíptico, Bellarke, mulheres poderosas e mais!

Recentemente a equipe do Jovem Nerd News foi até Vancouver a convite da Warner Channel para visitar o set de The 100 e conversar com alguns membros do elenco. Na ocasião, pudemos falar um pouco com Eliza Taylor, a Clarke Griffin de The 100, em uma mesa redonda junto com outros jornalistas da América Latina.

Durante a conversa, Eliza contou um pouco sobre universos pós-apocalípticos, a responsabilidade de ser uma figura pública, sobre “shippings” dos casais e também sobre as mulheres poderosas da série.

[AVISO: A entrevista contém alguns SPOILERS sobre as três primeiras temporadas.]

Você sente que é um modelo para garotas?

Eliza: Eu adoraria ser. Eu acho que através do programa, sim. Eu não quero soar arrogante, mas eu percebi que muitas jovens mulheres começaram a perguntar sobre imagem positiva do corpo e especialmente na comunidade LGBTQ e isso me deixa feliz, porque eu temia ser uma figura pública. Eu tinha medo de estragar tudo. Mas até agora, tudo bem.

Eu percebi que eu tenho uma voz e essas garotas estão entendendo que comer comida é algo okay. E que ser saudável é bom e que ser gay é ótimo. Seja o que for. Eu posso fazer pessoas se sentirem melhor sobre si mesmas e isso é ótimo.

Na temporada 3 Clarke disse algo como “talvez não existam boas pessoas”, você acha que esse talvez seja o tema da série?

Eliza: Sim, eu acho que sim. Mas não existem pessoas más, também. O que eu gosto dessa série é que cada pessoa, do meu ponto de vista, está fazendo o que acha certo para o seu povo. Eles não fazem porque acham que estão fazendo coisas ruins. Não estão intencionalmente fazendo algo terrível. É apenas o que eles acham que é o melhor para sobreviverem. Eu gosto que você possa ver o ponto de vista de todos, não importa quantas pessoas eles matem.

No começo, a série parecia ser inspirada no sucesso de Jogos Vorazes. Você sente que agora, com mais temporadas, a série encontrou sua personalidade?

Eliza: Sim, eu acho que sim. É curioso você dizer isso. Quando li piloto, há não sei quantos anos, eu vi muito da Katniss na Clarke e essa foi a voz que ouvi na minha cabeça enquanto lia. Então havia muitas similaridades.

Obviamente, mundos pós-apocalípticos estão em voga no momento, então nesse sentido The 100 é bem similar a outras séries. Mas eu acho que ela tem sua própria personalidade agora, realmente acho. Me sinto honrada em fazer parte dela.

Você diz que o pós-apocalíptico está em voga. Por que acha isso?

Eliza: Eu não sei. Acho que é da natureza humana se perguntar sobre o fim do mundo e como lidaríamos com isso, como a humanidade sobreviveria. Eu acho que com tudo que está ocorrendo, sentimos isso mais do que nunca. Estamos mais curiosos sobre como sobreviver. Eu acho que é isso. Mas não tenho certeza. Porque vampiros estavam na moda há pouco tempo e isso nunca foi um problema de verdade.

Como é fazer parte de um programa com mulheres tão poderosas?

Eliza: É ótimo! E estava na hora! Eu acho que ótimo, eu amo trabalhar com essas mulheres, felizmente. Há vezes em que os atores não se dão bem, nós temos sorte de gostar uma das outras. Eu acho que os personagens são tão poderosos e nós nos sentimos bem em interpretá-las. Me sinto muito sortuda. Eu tive o papel de loira burra tantas vezes que agora que posso ser alguém inteligente e responsável foi uma mudanças bem-vinda.

Então você não quer nunca mais interpretar uma loira burra?

Eliza: Não, eu quero! (risos) É tão divertido. Mas foi uma boa mudanças disso.

Você pode explicar um pouco sobre as mudanças de Clarke Griffin ao longo das temporadas?

Eliza: Sim. Clarke passou por muita coisa. Na primeira temporada ela era uma jovem adolescente que foi jogada em uma situação na qual teve que se tornar um líder. Teve de tomar algumas duras decisões. Acho que na temporada 2 essas decisões se tornaram ainda mais difíceis e ela fez muitas coisas das quais não se orgulha. E então, no final da temporada 2 ela está uma completa bagunça. Então ela abandona seu povo, o que não é do feitio dela. Na temporada 3 ela está vivendo por conta própria na floresta, tentando esquecer o passado dela e é necessário um esforço para que ela volte ao seu povo e volte a ter responsabilidade. Obviamente, ter o coração partido por Lexa foi um grande evento na temporada 2 e na temporada 3 elas se reconectam, o que é maravilhoso. E eu acho que isso a ajuda a amar a vida novamente. E então ela morre (risos). Na temporada 4, o futuro para a Clarke é sobre lidar com essa morte mas não permitir que isso a desanime, não a impedir de continuar a ser uma líder e tentar seguir em frente com a vida sem ela. Eu acho que é isso.

O que você diria que é o momento definidor da Clarke?

Eliza: Foram tantos. Eu acho que se apaixonar, amor verdadeiro, foi definidor. Ela se protegia tanto de outras pessoas porque achava que era isso que ela tinha que fazer. Então se apaixonar a ajudou a entender que ela não precisa contar apenas consigo mesma. Ela pode compartilhar uma cama com outro ser humano e se abrir. E isso foi a coisa mais importante.

O que você pode nos falar da relação da Clarke com a própria mãe?

Eliza: É complicada. Eu acho que primeira temporada ela descobre que sua mãe é responsável pela morte de seu pai, então é um grande choque. Mas então, com o passar do tempo, ela acaba tendo de fazer alguns terríveis sacrifícios. Finn, por exemplo. Então ela meio que compreende o ponto de vista da mãe dela, por mais horrível que seja. Então acho que sua relação é volátil, mas ela se torna mais forte com o passar do tempo. E a Paige [Turco] é incrível e eu adoro trabalhar com ela.

Como você lida com a expectativa dos fãs e coisas como “Bellarke” (Bellamy + Clarke)?

Eliza: Os fãs são muito apaixonados, é insano. Eu os adoro. Mas às vezes pode ser demais. Eu acho que com as redes sociais agora, com todo o acesso direto que você tem aos atores e aos fãs, isso pode ser demais. E isso foi um grande choque para mim. Eu estou na indústria há 16 anos agora, trabalhando na Austrália, mas não tínhamos Instagram, Facebook e todas essas coisas. Então eu recebia remessas de cartas dos fãs de vez em quando. Agora eu abro meu telefone e posso ver imediatamente o que todos estão dizendo. Demora um pouco para se acostumar e eu tenho não olhar com frequência. Porque eu acho que isso pode te deixar louco, não tem como agradar a todos.

Sobre Bellamy e Clarke, os fãs têm sentimentos fortes sobre isso. O que é ótimo. Acho que você tem olhar como se tudo fosse divertido e gosto que esses dois personagens tenham feito um impacto neles, que os fãs sentirem algo. É por isso que fazemos isso, certo?

Você julga as decisões da Clarke? O que acha delas? Você lê o roteiro e fica “oh, meu deus!”

Eliza: Sim! Com todo episódio! (risos). Eu não questiono as decisões dela. Eu não posso. Eu acho que quando você está interpretando um personagem você tem que, não importa quão difícil seja, achar uma maneira de fazer tudo soar verdadeiro dentro de si mesmo. Então eu posso pensar “sério?”, ao mesmo tempo entendo de onde suas decisões estão vindo.

Como a sua vida mudou desde o início desse programa?

Eliza: Mudou muito, espero que para o melhor. Eu aprendi muito nesse programa. Foi minha primeira produção americana. Foi minha primeira vez trabalhando em outro continente. A primeira vez que pessoas ao redor do mundo sabem meu nome.

Acho que mudei no modo de conhecer melhor a responsabilidade que tenho como figura pública. Antes eu não tinha ideia de que as minhas palavras podia impactar as pessoas tanto. Eu posso dizer algo que acho engraçado e isso pode ser retirado de contexto. Eu aprendi a ser cautelosa sobre como estou afetando os sentimentos de outras pessoas. É assustador, mas é ótimo.