The 100 | Review – 4×07: Gimme Shelter

The 100 | Review – 4×07: Gimme Shelter

“Você não pode salvar aqueles que não querem ser salvos.”

Quantas vezes nós nos sacrificamos para tentar fazer o bem por uma pessoa? Quantas vezes passamos por cima dos nossos limites, dos nossos sentimentos, do nosso orgulho, para garantir que aqueles com quem nos importamos se sintam bem? E quando precisamos tomar uma decisão não tão humana para garantir o bem geral (ou para garantir o nosso próprio bem estar)? Essa frase dita por Kane me faz refletir essas e outras questões, e vimos que essa reflexão também foi feita pelos personagens e resultaram em suas atitudes no episódio dessa semana.

A chuva negra chegou para devastar o que restava de tranquilidade em Arkadia (falo em relação a escala exibida nesse episódio, veremos o impacto da chuva nas outras áreas depois, acredito). Plantações destruídas, água potável contaminada e pessoas feridas pelas gotas corrosivas da chuva. Se antes era imprescindível arranjar uma solução, agora é questão de vida ou morte.

Ciente da situação no acampamento, e devido ao pequeno incidente com os barris de combustível, a possibilidade de ir ao espaço produzir o night blood foi comprometida e Abby precisava arranjar uma nova solução. Mas a resposta que surgia no horizonte era um tiro muito arriscado, não só por não apresentar tantas variáveis positivas, mas por pôr em cheque os valores humanos que carregamos. Será que tenho a força e a coragem de sacrificar uma única vida humana para salvar milhares? Sou capaz de matar? Mas se for por uma boa causa, o que isso faz de mim? Abby se encontrou no meio desse impasse ao expor a possibilidade de reproduzir o night blood a partir da medula da Luna.

Aproveito esse momento para ressaltar a astúcia da Emori nesse episódio. A moça viveu anos se escondendo por conta da sua mutação e isso causou-lhe efeitos, principalmente em não confiar muito nas pessoas ao seu redor. Ao ouvir a conversa entre Abby e Clarke sobre possibilidade de fazer o Mount Weather 2.0 (quem não lembra, eles usavam o sangue dos grounders pra testes de resistência à radiação), seu primeiro instinto foi fugir, mas uma janela se abriu (literalmente) e ela agarrou-se a oportunidade única de livrar a própria pele (ou não) de um destino mortal. Emori foi bastante astuta ao fazer todo aquele teatro em cima do pobre e inocente invasor, construindo um cenário onde pudesse desviar a atenção de Clarke dela, para o intruso e fazer com que ele fosse feito de cobaia em seu lugar. Alguns podem chamar essa decisão de egoísta, mas eu (vendo o cenário em que vivem) chamo de sobrevivência. Well played, Emori.

Em Arkadia, Bellamy não teve a mesma sorte de poder tomar uma decisão e mudar seu destino, ou o destino de alguém. A chuva pegou todos de surpresa e eles não tiveram tempo de evita-la e foi um caos. A chuva ácida queimou todos no acampamento e isolou aqueles que estavam trabalhando nas estações mais distantes, assim como aqueles (Octavia) que estavam perambulando pela floresta. O instinto fraterno de Bellamy o impôs a ir à procura de sua irmã, mesmo sendo uma missão suicida naquelas condições. Ao cair em si e escutar a voz da razão de Kane, o rapaz decidiu que se não era capaz de salvar a irmã ao menos poderia livrar um pai e um filho de um destino mortal. Infelizmente, não podemos salvar a todos, mesmo quando somos capazes de sacrificar tudo, até nós mesmos para tal. Bellamy se sentiu impotente.

Enquanto Bellamy se sentia impotente por não salvar vidas, sua irmã se sentia muito mais impotente por não poder salvar a si mesma da dor e do sofrimento que ela vem carregando desde a morte do Lincoln. Octavia se afundou num oceano de sentimentos amargurados numa tentativa de se proteger da dor, mas isso só a prejudica. Da mesma forma que a transforma nesse monstro imbatível em combate, também a transforma em um ser humano frio e que se martiriza por dentro. Apesar de suas diferenças, Ilian fez questão de mostra-la o quanto ela estava sofrendo e provou que por mais que ela dissesse o contrário, ela odiava sofrer.

Não sei o que nos aguarda no próximo episódio. Se teremos sofrimento, alegrias, esperança, não sei. Mas o que eu sei, é que ainda há um longo caminho a ser percorrido até que eles encontrem um momento de paz.